Category Archives: Literatura

Literatura e suas complexidades. Poemas, romances, e outras artimanhas com palavras…

Se não fosse gratuito, diria que seria um Best-seller.

Falsos Revolucionários da Geração Coca-Cola

Falsos Revolucionários da Geração Coca-Cola

Foto para a geração bolinho revolucionário ~ "Anarchist Muffins" by cloudhammock

Olha… Não sou a favor da Belo Monte, não sou a favor do desenvolvimento de energia de forma inconsciente e irresponsável, e sou totalmente contra a destruição do ambiente e da cultura indígena. Mas destaco a qualquer um que pergunte minha opinião, de que vídeos polêmicos na internet acerca de petições contra a Usina não impedirão estas de serem construídas, e digo mais, a assinatura da petição também não.

Quem resolveu isto foram os infelizes eleitos como representantes políticos. Eleitos para representar todas essas pessoas que concordam, ou não concordam, com este tipo de plano de desenvolvimento. A solução portanto está naquele momento chato e enjoativo de votar, mesmo sabendo que 98% daqueles candidatos sucumbirão ao sistema, ou mesmo já serão eleitos com este tipo de ideia…

Creio que, no fim das contas, seja essencial minimizar os impactos escolhendo os menos piores dos políticos. Até mesmo pelo fato de que, deixar que os outros escolham, e depois correr atrás de petições assinadas para impedir catástrofes ambientais e étnicas não tem surtido muito resultado… O que se observa pela atual instalação da Usina.

Protesto contra Belo Monte

Protesto contra Monte Belo Image by dccarbone via Flickr

As vezes acredito que a medida radical a ser tomada seria invadir o lugar onde está a Usina Hidrelétrica e quebrar tudo, no melhor estilo revolucionário/anarquista. Duvido que 10% das pessoas que são contra a Usina fariam algo assim, simplesmente porque é muito mais conveniente distribuir uma ideologia com a bunda sentada atrás do monitor, mesmo sabendo que não vai mudar p*rra nenhuma.

London anarchists

by Toban Black via Flickr

E não me venham com aquele papo ridículo de que as pessoas que colocam isto no mural do Facebook só o fazem para demonstrar que se importam. Essa geração Coca-Cola, tão proclamada em décadas passadas, não se importa com metade desses problemas. E ainda desta forma, as pessoas que não publicam podem também se importar, nas mesma medida que o bando de seguidores do FB e Twitter podem não dar a mínima para a Mata Amazônica. É a Realidade…

Ficar só olhando não vai ajudar, e meu comentário aqui também não. Mas duvido que videozinhos e críticas nas redes sociais mudem alguma coisa na construção das 60 Usinas floresta amazônica afora.

Querem mudar o país? Façam pelas de vias de fato. E interpretem como preferir…

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Transparência

Transparência

Normalmente as pessoas me conhecem e me encaram como um sujeito estranho.

Nunca neguei, determinantemente não sou normal, mas nenhuma das outras pessoas o é. A diferença é que em determinados aspectos eu sou mais transparente que os outros.

Os meios de comunicação distribuem e nos bombardeiam com a informação de que as pessoas normais devem seguir um padrão específico para serem consideradas normais. Digo a vocês… é impossível ser o normal que eles divulgam. E mesmo que fosse possível, é muito mais interessante ser como o resto do mundo… Diferente nas peculiaridades.

:D

Agora a medida que as pessoas me conhecem de perto, elas acabam sendo influenciadas a se tornar transparentes também.

É como beber com amigos. Depois de algum momento você acaba sintonizando com a embriaguez de todos, e só quem percebe essa situação são as pessoas que não bebem, pois elas acabam se destacando do grupo… É um isolamento não alcóolico.

Quer dizer… Não disse que sou sempre sincero. Muito antes pelo contrário, quanto mais você expõe o que você pensa de você mesmo, menos sincero você está sendo com você e com os outros a sua volta. Já disse antes e explico denovo: As pessoas são os defeitos delas. Ironicamente, só somos verdadeiros quando somos espontâneos… isto quer dizer que mentimos o tempo todo.

Como seres humanos regulares, o pecado é algo que nos faz humanos de verdade. E perseguir o celestial não me agrada.
http://www.flickr.com/photos/niroshana/

Novembro está chegando… está chegando.

Talvez seja só a chuva. Talvez seja a ilusão. Mas creio que não serão muitas as vezes que ainda verei a lua nascer do oceano… por simples falta de fé no futuro.

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Que Venham as Flores [Spring is Coming]

Que Venham as Flores [Spring is Coming]

- Haveria que se falar em planos. Não poderia se falar em futuro sem planos…

Spring is Coming

Image by Tiago Lugon

Não acordara da mesma maneira naquele sábado, muito embora não fazer a mínima idéia do motivo. Talvez fossem as reles quatro horas de sono, ou mesmo o sol que florescia as roupas de cama, mas sem sombra de dúvidas aquele não era um dia comum.

Quando o fim de determinada etapa na vida se aproxima, nos obrigamos a pensar em um novo começo (ou não, vai saber).

Pessoalmente, eu creio que a sensação de ser iniciante não é empolgante para muitos, aquele frio na barriga, e as gagueiras que surgem como flechas em discursos para o público, mas em casos específicos (que é o que se narra entre linhas), este tipo de situação funciona como combustível para instigar as raras novidades dos últimos dias.

São esses os momentos de nervosismo que nos faz lembrar que somos humanos, e não máquinas. Faz-no lembrar dos estômagos cheios de insetos voadores, cruéis e sacanas, que se alimentam de segurança e conforto; do frio e suor na mãos, que nos tornam fontes infinitas de água (quase a solução para sede mundial – se não fosse suor); enfim, é o que nos faz humanos, e cheio de erros, que em momentos posteriores nos fará rir e contar histórias sobre os fatos pouco prováveis. [depois as pessoas não entendem minhas escolhas... qual a graça de fazer tudo certinho?]

Digo isto, porque já fui vítima do tédio (e com alguma constância ainda sou), e ele devora os miolos como o álcool devora fígados… a analogia é terrível, mas faz entender muitas coisas.

Portanto, em destaque aos 4 anos deste blog, e aos [tantos] posts até então publicados [muitos deles estão presos em algum lugar mítico da gaveta]; as histórias; contextos aqui narrados; a cada momento de vida, bem vividos, do modo mais dramático possível (segundo o exoterismo, fruto do gênio de capricornianos – não que acredite, é que simplesmente se encaixa e faz sentido – sigh…); continuarei expondo [e também ocultando~ como já fiz anteriormente ~ contra minha vontade] as coisas como elas se passam em minha cabeça, porque este é meu vício, e também minha maldição. “Meu passado também é fantasma e atormenta”.

No mais, tenha a informar-lhes que a primavera está chegando, e com elas boas e más notícias (como sempre tem sido, e aparentemente continuará). O desenho do início do post é meu, e pretendo continuar publicando-os, na medida em que meu tempo permitir. Monografias gonna Monografar [?]

Meus sinceros votos [para mim mesmo] de que os dias que venham sejam melhores do que os que estão passando. Post anacrônico neles~

Aqui começa a sessão auto-ajuda do blog… feche esta janela se você não tem saco de ler auto-análises direcionadas a problemas alheios e sem muita fundamentação.

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Um rio sem margens

Um rio sem margens

“Você acredita em segundas chances? Elas não funcionam por critério de merecimento, isto eu asseguro”.

Em Busca de um Novo Coração (pt.5)

O horizonte antes contínuo e desencorajador agora desenhava a silhueta de um grande castelo, descolorido, escondendo o sol do dia.

A bela dama me orientou para seguir até encontrar a muralha de um castelo. Caminhei até o fim daquela noite, chegando ao meu destino junto com a luz do dia. No alto da muralha, a sombra de anjos e gárgulas se tornava mais nítida a cada passo, intimidando um pouco pela estática e contraste com o céu cor de fogo.

Ao me aproximar dos portões daquele castelo, dois guardas sem face me impediram a entrada. “_O que busca no Castelo Branco?”. A pergunta foi dirigida com a ameaça de suas lâminas.

“_Busco o significado, um coração e salvação. A mim, foi dada a missão de conseguir essas três coisas em 16 dias, e agora faltam 15″. A pergunta soava insana, mesmo pra mim que já não me importava mais com a razão.

“_Suas metas não importam, você não é bem vindo aqui”.  Não se moviam enquanto falavam. Pareciam as gárgulas no alto dos muros.

“_O que posso fazer para entrar na citadela?”

“_O rei ordenou que nenhum estranho passasse pelas muralhas, nem entrando nem saindo. Você não pode entrar no castelo”. Os guardas permaneciam inertes.

“_E o que houve para o rei fechar suas portas?”

Os guardas se olharam aguardando a permissão ou denegação. Aparentemente ninguém os proibiu de falar a respeito.

“_ Na noite passada, o rei recebeu a visita de uma feiticeira, que alertou sobre a vida da princesa. A bruxa lhe disse que a vida da princesa se extinguiria em 15 dias corridos”.

“_Nada poderia ser feito?”. A história me soou perfeitamente familiar, mas eu pensava de forma utilitária, afinal, também não me restava muito tempo e precisava passar por aqueles muros.

Os guardas já me olhavam com desconfiança, mas o mais incauto deles adiantou a resposta. “_A feiticeira lhe disse que este prazo seria extinto, se matassem o fauno que mora na floresta”. Continuou, ”_Acontece que nenhum dos cavaleiros se apresentou para esta missão”. O outro guarda completou a história “_Corre o boato de que a feiticeira roubou toda a beleza da filha do rei, e de tão feia, não vale nem a cabeça do fauno”. Uma longa risada etílica acompanhou as palavras do guarda.

“_Só não entendi o porque das muralhas fechadas”. Já tinha uma proposta em mente, só faltava colocá-la em prática.

“_Mefisto, o conselheiro do rei, advertiu-o a fechar as portas do castelo, pois assim a feiticeira não poderia retornar para tirar a vida da princesa”.

Enchi o peito de ar, e com coragem tomei lugar na conversa, “_Avise ao rei, que se me for entregue uma espada e um escudo, trarei a cabeça do fauno e a vida da princesa. Em troca, desejo entrar nesta muralha para cumprir minha missão”. Não devia ser tão difícil matar um fauno, pensei, além do que, se fosse morrer era melhor tentar mudar do que esperar.

“_Não tente nos enganar, as ordens são para negar acesso a todos que tentarem entrar”. O guarda retomou sua postura de gárgula, e tive minha tentativa fracassada.

Agora, sem ter muito o que fazer, dei as costas à muralha e procurei um canto para descansar. De certo, em algum momento os guardas trocariam de turno, e eu poderia tentar novamente… ou pelo menos esperava por isto.

As poucos o sono começava a me atormentar… o sono e um zumbido que vinha de longe. Um estranho encapuzado se aproximava, e descobri que era ele o autor do som desagradável.

“_Escutei seu falatório aos guardas. Deseja mesmo matar o fauno?” Perguntou o estranho.

“_Se desejar… aonde resta seu interesse na morte deste?”. A curiosidade se adiantou contra a ansiedade.

“_Ele roubou minhas filhas e esposa, e por ser velho já não tenho forças para buscar vingança do porco imundo”. Ele falava enquanto tirava da face o capuz, e apresentava a face de um velho, aparentemente cansado pelas rugas e cicatrizes.

“_Não é a sua vingança que eu busco, Velho. Mas se eu desejar matar o fauno, você me consegue a espada? Se eu conseguir matá-lo, conseguirei entrar no castelo?”.

O velho, exitante, retirava da sacola uma velha espada e um escudo de madeira. Parecia tão sem opção quanto eu, mas com calor em suas palavras respondeu: “_Mostre-me a cabeça dele, e garanto seu acesso ao castelo”.

De fato eu era um louco, ou ainda estava sonhando. Senti nas frases daquele homem o desejo de ir por si só, mas a consciência de sua condição. Guardei os itens de minha salvação, e me resumi a uma única pergunta. “_Onde encontro o fauno?”.

O velho apontou para o leste, onde a escuridão ainda repousava sob a copa das árvores. “_Ele reside no centro da floresta, sozinho com sua flauta”.

Sem pensar segui meu destino, e as últimas coisas que ouvi do velho foram palavras sopradas com dificuldade, de que não eu deveria ouvir da música do fauno, em qualquer hipótese.

O que me esperaria naquela floresta, eu não sabia, mas já havia encontrado a chave daquelas muralhas sem fim… a cabeça do fauno…

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A Estrada das Desilusões

A Estrada das Desilusões

“Alguém já perguntou, se as peças de xadrez se cansam de lutar pela causa do rei?”

Em Busca de um Novo Coração (pt.4)

A longa estrada de tijolos distribuídos simetricamente contrastava com o ofuscante verde do gramado. O dia havia amanhecido.

A chuva tinha deixado a paisagem levemente esfumaçada e algum cheiro de couro da jaqueta molhada, isto sem contar a sensação agoniante das meias encharcadas.

Imagens da noite passada aos poucos iam desaparecendo das lembranças a medida que seguia em frente. O sol começava a queimar e a tonteira começava a tomar o lugar das idéias. A busca dava forças ilusórias para continuar em frente, mas o cansaço consumia o corpo, e isto não podia ser ignorarado.

Observei um belo salgueiro a direita do passeio. Suas folhas cadentes cediam sombras suaves no verde e brilhante gramado ainda úmido. Deitei no berço formado por suas raízes e caí em sono profundo.

♥~

Os sonhos viam surgindo com a chuva do dia anterior. Aos montes, viam trazendo idéias, lembranças e ambições, mas nenhum coração.

~♥

Pude ver-me entrando na cidade iluminada pela noite, indo ao encontro do ente sem  rosto e, como eu, sem coração. Percebi que ele fitava seu reflexo morto nas poças, como se buscasse as feições antigas (que já não existiam) que denunciassem os velhos sentimentos, tão perdidos quanto suas lembranças.

Entendi os motivos de sua tristeza… sem memórias, de fato, não havia prova de existência.

Um raio mudou o sonho.

~♥

Lá estava o espelho de meu quarto, trincado e empoeirado, bem diferente de como lembrava em momentos lúcidos. Não havia deixado ele assim, mas identifiquei de logo o quarto em que morava, com as roupas de cama desarrumadas e o cheiro de livros velhos.

Sentado na cama, estava o fantasma d’outros dias, afrontando seu reflexo pálido no outro extremo do quarto. Suas mãos fechadas escondiam uma rude peça de xadrez, um cavalo, que pela aparência já fora usada em muitos outros jogos.

Perdi-me em pensamentos mais uma vez. O que havia de significar aquela imagem? Qual seria o sentido da peça cansada do xadrez?

O barulho de vidro quebrando mudou o sonho.

~♥

A beira da estrada, uma dama sentada em um banco sozinha, com suas mãos entrelaçadas, a olhar-me  atenta, esperando meus passos mais próximos com um sorriso receptivo.

Suas vestes longas cobrindo-a da cabeça aos pés, era possível ver uma unica mexa de cabelo louro descendo por sua face. Sua beleza era estonteante. Aproximei-me aos poucos.

“_Quem é você?” Perguntei, sem imaginar o porque  de ela estar ali sozinha naquele banco.

“_Sou quem você menos espera, e quem mais espera você” Respondeu com o mesmo sorriso esboçado em seu rosto.

“_Se tanto me espera, porque não foi me buscar?” Indagava atento, esperando pegá-la de surpresa.

“_Espero pois as pessoas me buscam, inconscientes, assim como buscam suas casas após o dia de labor. Quantas vezes você já viu uma cama perseguir um homem?” Ela respondia contente em me surpreender.

“_Se você se compara com uma cama, ainda não entendo quem é você” A curiosidade já era aparente.

“_Seu tolo, sou a morte. E não queria estar no seu lugar” Respondeu a figura que agora se revestia de assombração.

“_Eu estou morto?” Perguntei esperando a confirmação.

“_Ainda não, mas em algum tempo estará, e não precisará reclamar de solidão, pois estará em minha companhia”

A idéia de ter a companhia de uma dama tão bela não era ruim, e cheguei a cogitar a idéia com um sorriso torto e escondido, que por óbvio foi percebido.

Ainda com aquele sorriso lembrei-me da jornada em que havia me metido, respirando fundo, respondi polidamente: “_Por mais que idéia me seja agradável, por se tratar de moça tão bela, não acredito que possa desfrutar de sua companhia no momento. Estou atrás de algo que, por acaso, me falta”.

A dama se levantou em prontidão, carregando em sua mão uma bela borboleta cor de fogo. Soltando um suspiro falso, deixou voar as palavras “_Não é a sua hora ainda, mas se deseja mudar sua sina, saiba que não lhe resta muito tempo. Se busca um coração, siga por esta estrada até alcançar a muralha de um castelo. Você não tem mais que um mês para isto, acredite…”

Não havia medo em meus olhos, mas me preocupei em não terminar minha busca. “_O que posso fazer para ter mais do que isto?”

“_Podemos apostar”. A proposta parecia lhe agradar. “_Se você encontrar seu coração na metade do que eu estipulei, te dou muito mais tempo do que lhe resta, mas…”, agora a dama olhava para o horizonte, escolhendo pacientemente as palavras.

“_Mas… se não conseguir…” Não sabia o que esperar daquela conversa.

“_Se em 16 dias suas busca não prosperar, vou lhe visitar com este mesmo sorriso, e tirar de você algo que já não faz tanto sentido. Seremos um só.” O soar leve do vento era harmônico com o balançar das mexas daquela moça.

“_Como vou chamá-la?”, confessava o interesse na proposta.

“_Chame-me de Sorte”.

“_Eu aceito o acordo, e lanço em suas mãos minha sina”. Continuava sem certeza daquele trato, mas já não tinha o que perder.

“_Em minhas mãos ainda não está lançada sua sorte. Em 16 dias contados, ao levantar da lua no horizonte, vou visitá-lo em sua solidão.  Não peço que me aguarde, apenas que tente conseguir. Por mais que seja irônico, mortal, estou a torcer contra sua sina”. A Sorte havia se despedido de mim com um beijo em meu queixo, e antes que pudesse agradecer pela chance, despertei do sono com o toque de uma folha em meu rosto.

~♥

O dia já estava mais tão claro, a grama já não brilhava, e os tijolos continuavam imponentes rumo ao sul. Diante de mim, uma jornada com tempo contado e diversas dúvidas. Pelo que foi andado, pensamentos derrotados e uma história recém conquistada… restava cumpri-la.

O que eram as memórias,  cavalo e a sorte? Era talvez os motivos pelos quais ainda andava, e havia de continuar…

~~

“…Talvez as peças não se cansassem de lutar pela causa do rei, apenas lutavam, sem precisar saber porque”.

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A Jornada pela Resposta

A Jornada pela Resposta

A Busca de um Novo Coração (pt.2)

Onde estão as respostas?

Nas terras distantes do norte?

Nos morros de sussurros e encantos?

Diante das feras, da morte?

Onde estão as respostas?

Talvez no apreço das rosas.

Versos simples e prosas,

Que marcam livros não lidos.

Esconderiam-se nas noites?

Nos goles da verdade e amor,

vexando o ego disperso,

Aflito, cheio de dor.

Não seriam inebriadas.

Seriam sinceras como o lobo,

que atentos as vítimas apavoradas,

apresentaria o fardo sem pudor.

Diziam que eu estava louco, mas não seria a loucura, o caminho? Os devaneios, não poucos, nunciavam, “Desperta deste sonho que alucina!”

Despertei, e tão logo percebi o meu destino. No peito ainda estava o vazio.Na memória me restava o coração.

Onde está você agora fantasma? Terá sido a imaginação a me assombrar? Agora que conheço do caminho, não vou me atormentar com sua prosa.

Apresenta-se covarde, mostra a mim a sua face.

Silêncio. Sentido certo.

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Sem coração

Sem coração

A Busca de um Novo Coração (pt.1)

Tenho um coração cheio de feridas, uma alma magoada, um passado ressentido.

Fui visitado por um fantasma esta noite. Não trazia nem boas nem más notícias, passou lá só pra mostrar como as coisas estavam no limbo d’onde veio.

O meio sorriso em sua face escarnecia de meus triunfos. Mas o que um fantasma entenderia de triunfos? Não teria sido ele a fracassar? Eu, ao contrário ainda permanecia vivo. Não é?

Ele ria. Me disse que já estava morto haviam muitas estações. Minhas primaveras não eram mais coloridas, meus verões não sopravam a brisa quente e meus outonos não seriam tão cheios de vento e música. Nem o frio do inverno me restara.

“_Mentira!” Exclamei, como quem grita contra a colina vazia, esperando ouvir a própria voz. Acho que esperava espantar o fantasma aos berros.

Ele só sorria, “_Onde está o coração que havia de dar ritmo a sua dança? Onde está o calor que brota dos corpos dos vivos?” Sussurrou em meu ouvido, esperando aos poucos minha dúvida aflorar. Repousei a mão em meu peito. Nada lá havia, senão dúvidas e medo. Estava frio e abandonado.

O fantasma não mais estava mais ali. Me deixou, de certo, a mercê de minhas próprias perguntas. “_Maldito seja! Não bastava apenas reabrir as feridas de minhas lembranças?” Não era suficiente relembrar das tormentas que já esquecia. Ainda trouxe a tona deste mar de memórias a tortura de meus pensamentos, com todas aquelas perguntas que desistira de buscar respostas.

O fardo do passado agora repousava em meus ombros. Não conseguiria dormir naquela noite… Não sendo assombrado pelas minhas idéias e memórias.

Será que estaria a mercê da imensa roda da fortuna? Destino, porque me persegue? Porque não deixa fugir?

Não passava de mais um entre os corpos que vagavam neste mundo. Guardava de essência distante dos vivos.

Não pertencia aos vivos, nem aos mortos.

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