Anjo da Noite


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Sei que de noite meu sonhos espia.

Emudece o mundo, pra  poder cantar.

Só que a noite tão chata se passa esguia

Deixando ansioso, de novo a esperar.

Enquanto não chega de novo o dia,

Me deixa contigo poder sonhar.

Fazendo prece, sincera e baixinha,

Esperando contigo me reencontrar.

Por isso, quando a noite estiver vindo,

vou cedo pra cama, bobão te chamar

Cantando seus tons, alegre e sorrindo,

Esperando sua voz poder escutar.

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Uma Vida de Segredos e Mentiras


E aos poucos a vida mostrou ao jovem que a situação sempre poderia piorar.

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Os deterministas afirmavam que uma hora ou outra, em futuro não mensurável, a vida mostraria os motivos de seus fracassos.

Deixem-me contar uma coisa pra vocês: não existem razões para o fracasso. Eles não são raízes de um acontecimento futuro. Nem muito menos justificam a melhoria da sua vida.

Você pode até achar que parar para amarrar os sapatos, antes de atravessar uma rua, salvou você de um carro desgovernado… Mas isso é coincidência.

Você, por mais que tenha sido criado com essa mentalidade, não é melhor do que ninguém. E não existe força superior no mundo que puxe as cordinhas dos seus calçados para gerar uma coincidência esporádica. Se assim fosse, os desafortunados seriam claramente injustiçados.

Por isso, antes que você pense que a derrota te fará alguém melhor, ou que os tombos te fortalecerão… Aceite que são eventos da vida e não há uma força superior que deseja seu sofrimento.

A única pessoa que pode realmente te fortalecer, te tornar melhor, e permitir que você dê a volta por cima é você mesmo. A fé, a revolta, a angústia, a vontade de superar o que te obsta são apenas instrumentos para você chegar lá.

Então… Antes de me perguntar como estou me sentindo ou o que quero fazer, eu adianto. Sinto-me injustiçado, rechaçado e péssimo. Não há um momento em meu dia que não deseje amargamente gritar ou esmurrar uma parede. Senti que foram tiradas de mim oportunidades que talvez não voltem.

Todos esses sentimentos tornaram-se fomento para meu futuro e me agarrarei a eles como armas e setas para continuar em frente.

Definitivamente não estou bem… Mas não estou pior. Apenas me preparo para o futuro apaticamente. Não vou dar minha face para apanhar de novo.

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Os Primeiros Sinais do Anoitecer


“À l’aurore, armés d’une ardente patience, nous entrerons aux splendides Villes” – Arthur Rimbaud, em Uma Estação no Inferno e Outros Poemas

Postmodern Jukebox–Thrift Shop (Melhor trilha para o post não havia).

- Sente-se moça vamos conversar. Tem sido dias violentos, sabe? Não se pode mais ficar vagando pelas ruas como se fazia há anos atrás. Em qualquer momento, seja dia ou seja noite, um desses bandidos perambulantes saca uma arma, aponta na sua cara e esquenta a ponta do seu nariz (se é que você me entende).

- Deixe-me contar minha história – O que?  Sem tempo? Deixe disto, pago-lhe um café, uns ovos com bacon… não dá para recusar, hein? Pelo seu físico, diria que não tem mais do que 20 anos, e pela sua bela aparência… hum… diria que não toma banho há algum tempo e da mesma forma não deve se alimentar… Você é uma viajante, estou errado? Não seria difícil presumir… com uma bolsa tão estufada quanto esta, ou se viaja ou se vende… e pela sua aparência, não acredito que seja a melhor das vendedoras ambulantes.

- Melhor assim, não se acanhe… sou mais um velho solitário procurando um ouvindo para alugar. Veja que sorte, você foi escolhida dessa vez. Prometo não lhe atacar… Não estou flertando contigo. Quero apenas uma boa companhia para conversar. Poderia ser você ou qualquer outro rapaz que desse o azar de passar na minha frente. Sorte a minha ter sido você, hein?

Pode perceber pelas minhas vestimentas que não sou nenhum maluco ou criminoso.

- Vou tentar não me ater aos detalhes… o que é difícil… a nostalgia é uma droga fantástica que nos faz sentir como se estivéssemos lá… – Onde? No meio da lembrança, senhorita… Você está presentando atenção no que estou te contando?

- Lembro-me como se fosse ontem ~ Não deve ter levado mais do que uma hora para me arrumar. Já não possuía mais tantos cabelos, nem para quem me arrumar, por isto quase uma hora era uma eternidade um tanto quanto feminina para o meu banho… sem ofensa, é claro.

- Não seja tão ansiosa… coma devagar… sei que não sou a melhor das companhias, mas tente fazer uma boa ação para um velho em seus últimos dias. está bem? – Onde estava? Ah sim…

Era o dia de minha formatura… Colação de Grau para ser exato. Concluía naquele dia mais um daqueles eventos da vida de mais um sujeito da classe média – Conhece? Estudar, trabalhar, casar, ter filhos, cria-los, reclamar deles, exigir o mesmo deles, e morrer sozinho. C’est la vie, é o que diziam…Isto me lembra outra história… mas deixe para outro azarado, o que acha? Hehe… Mais café? Tudo bem, pelo menos estou sendo interessante de alguma forma.

Demorei porque enquanto me arrumava, divagava sobre os eventos que me levaram até ali… “A Conclusão do Ensino Superior”, como se isto fosse uma conquista ou um blockbuster de cinema. – Deixe-me contar-lhe uma coisa: não é um marco único na vida. Melhor foi o meu primeiro beijo ou a primeira paixão. Esses, sim, são eventos que marcam a alma de um homem como brasa. Uma nódoa que gera orgulho e sorrisos bobos por eternidades que cabem em segundos.

Foi então que percebi o erro que havia cometido naquele tempo. Batalhei por seis longos anos, caminhando com tantos outros perdidos (fingindo-se de encontrados), me sentindo tão sozinho, fazendo tudo isto para concluir a confusão. – Eu deveria ter vivido a confusão, e deixando a conclusão ser a consequência. Que desperdício… que arrependimento.

- Me preocupei tanto com o fim da minha vida (que sempre presumi que era ruim), que esqueci de curtir o que me acompanhou nela. Vivi fora do meu tempo a vida toda… e a culpa era toda minha. Sempre o mesmo dilema de viver arrependido pelo passado ou preocupado com o futuro (que, cá entre nós, nunca chegou do jeito que eu planejei). – Tenho um conselho para você que está viajando, seja qual for o motivo que te trouxe até aqui: fugir não é a resposta.

- Não está fugindo, você diz… Com a idade que presumo que você tem, duvido muito pouco que não esteja fugindo de algo, se escondendo atrás de uma desculpa qualquer… Como é mesmo? ‘conhecer o mundo’, ‘ter novas experiências’, ‘amadurecer’… que seja! Essas desculpas não colam comigo, mas faça como preferir… é minha convidada neste brunch.

- Puxa! Era a minha colação de grau. Deveria estar feliz… afinal, reclamei do percurso por tanto tempo… sempre falando sobre um passado tão mágico (do qual também reclamei na época)… Tinha que parar de ser razinza!Formatura

- Pronto! Lá estava eu, vestindo meu melhor sorriso, inflando meu peito com os ares de quem marcaria a data para ser o novo início da vida. Aquele ano deveria ser o ano das transformações. Fechei as mãos com força, como se segurasse a confiança entre os dedos. Dei o primeiro passo fitando o horizonte, e depois não havia mais nada.

- Não via colegas, familiares, pessoas… nada! Estava dentro de todas as lembranças que floresciam freneticamente em minha cabeça… tanto em tão pouco. Era uma alegria eufórica, única… Era o meu momento!

- Do alto, já aguardando o momento dos juramentos acadêmicos, procurava os meus queridos no meio da multidão. Buscava encontrar orgulho, alegria e ela… ah sim, ELA! Sabia como as coisas haviam terminado entre nós, até porque fui eu a dar ensejo aquele conflito. Ainda a amava… ao ponto de querer e esperar do fundo do coração em vê-la. Não a encontrei.

Apesar do momento de imensa felicidade e orgulho que passava, meu sorriso perdeu lugar para a seriedade introspectiva de quem imaginava os motivos de ela não ter aparecido…

- Nossa!!! Desculpe-me… Perdi a noção do tempo. Não vou ocupar mais do seu tempo… Chega de conversas de velho por hoje, não é? – Não! Fique tranquila… Deixe o fim dessa história para outro azarado. Preciso ficar só… Sim, vou ficar bem. Prossiga com sua jornada. Espero que descubra algo bom e útil para sua vida. Lembre do conselho que lhe dei – Agora, vá… por favor.

[Continua…]

A Revolução dos Gritos


Ok… Após algum tempo desde a tempestade de manifestações que parou o Brasil inteiro, e fez dos jovens notícia em rede internacional, vou finalmente manifestar minha opinião a respeito de todo o evento.

Para isto vou apresentar uma ideia piloto, de autoria de Voltaire, provavelmente em um daqueles livros que comecei mas nunca terminei de ler: “As paixões são como ventanias que inflam as velas do navio. Algumas vezes o afundam, mas sem as ventanias não se pode navegar”.

Existe uma boa razão para dizer isto.

Em muito tempo não se viu uma massa tão grande se movendo em um grupo comum, lutando por direitos associados.

Depois de muito se falar em um gigante adormecido, acredito que dormia a política que surpreendeu-se ao ver a máquina plebeia causar tanto barulho que foi ouvido do outro lado do mundo (é claro, em vésperas de copas e olímpiadas, o que se precisa é de argumentos para falar mal da sede, tentem se lembrar como se imaginava a África antes da Copa do Mundo por lá).

O incentivo e a paixão foi tanta que eu me movi de minha confortável inércia por concordar com alguns pontos dispostos pelos Muffins Anarquistas.

Deixei de lado minha hipocrisia e gritei ao lado deles pela melhora das condições públicas, seja pelas tarifas completamente equivocadas de pedágios, transportes públicos em condição de merda (Ops, palavrão!!! o.o), hospitais em condições de pocilgas assim como a importação de mão de obra estrangeira para deixar o país da Copa bem na fita, não se esquecendo da representação vergonhosa por alguns ícones brasileiros no exterior.

Ficou clara a manipulação rasa e descarada da população, quando o Pelé (entre outros bons samaritano-brasileiros) disse que aquilo não era importante, e que hospitais e demais causas poderiam esperar, porque a Copa era prioridade, devendo todos se concentrarem em passar uma boa propaganda de país ascendente.

Enfim, a briga dos Muffins se tornou a minha.

Me senti inflado por sentimento que desde 2008 não possuía, querendo ir as ruas e gritar e me esgoelar por não concordar com o sistema.

Sabendo que a busca pelos recursos administrativos, judiciais ou burocráticos, fui lá com eles. Peguei o primeiro ônibus que pudesse me deixar o mais perto do Leviatã ao contrário, que marchava entoando cânticos e portando bandeiras. Lá estava eu, me unindo aqueles que geralmente faço por menos, por possuir ideias comuns. Éramos todos um, lutando pelo direito de todos.

A polícia não aceitou muito bem a ideologia defendida, e por não saber lidar com pessoas desarmadas gritando verbos antagônicos ao que eram pagos para defender, resolvendo defender seu ponto de vista no debate do jeito mais fácil (e dolorido, violento, desumano, entre outros adjetivos que já foram amplamente divulgados).

Nos dias seguintes, as marchas continuaram, paralisando as cidades do País, sempre dando uma confusão ou outra.

Não fui em todos os dias e explico o porquê.

Não estou aqui para defender ou atacar o argumento das partes, mas ficou claro que nenhum dos lados estava pronto para lidar com o gigantesco poder que é a democracia.

Ah! Sim… Aquilo que se via e chamava de monstruosidade (ou alguns políticos meio enviesados para a religião chamava de latidos de filhotes) era a mais pura demonstração de democracia e liberdade de expressão, o que é importante destacar.

O que conquistaram pra gente com tanta briga antigamente foi utilizado (como vem sendo mais utilizado nos últimos tempo).

Mas infelizmente não vem com manual de instrução, contraindicação e etc.

De um lado, um grupo jovem, dividido entre universitários que liam textos político-filosóficos suficientes para fundamentar 10% de seus pontos de vista, crianças fãs de Cartoon, Nickelodeon (até aqui me enquadro muito bem), e Justin Bieber (esses defendem uma boa briga, basta procurar na internet), e uma multidão que estava lá pela insatisfação com o sistema político [ou meramente para fazer parte da evocação "#vemprarua", que parecia um imperativo inadiável - que funcionou].

De outro, policiais treinados para lidar com esses manifestos da mesma forma como eram treinados em tempo de ditadura, com cala-bocas bastante efetivos, sem se preocupar se concordavam ou não com os gritos, apensar defendendo o interesse da coletividade (ahn?… É, isso é direito administrativo).

O problema é que a coletividade estava lá, gritando e apoiando nos primeiros dias, dando um início ao dilema que para polícia foi bem fácil de resolver: “Na dúvida, senta a pua!”.

Havia a democracia, dois lados e um dilema… E querem saber aonde que estava o problema? Nos dois lados… Faltou instrução.

Ok! Todos botam a culpa na educação, mas ninguém sugere resolução ao problema.

É utópico imaginar que mais do que 5% dos manifestantes soubessem como defender seus argumentos. A sociedade é uma máquina, e como máquina precisa de um núcleo pensante. Mas por plena sinceridade, nem o núcleo conseguia sustentar com foco o que defendiam, afinal, são tantos problemas no País, que é difícil saber como começar a falar quando o mundo inteiro para pra te ouvir.

Já os policiais, se depararam com algo que nunca haviam visto antes. Quer dizer, nos livros falam da revolução dos caras pintadas, da democracia, liberdade de expressão, direito ao manifesto público pacífico… Mas quando 100 policiais se deparam com o mar de gente que fazia o chão tremer só de se aproximar… eu me coloco no lugar deles, e teria muito [mas muito mesmo!] medo.

Poxa, quer dizer então que você concorda com que eles fizeram? De forma nenhuma, é incontestável que eles se queimaram com força. Mas não havia outra medida. Esta é a única forma que eles foram treinados para lidar com esta situação. Não é justo, mas possui suas razões.

Os dois lados fizeram cagadas (ops, de novo!)? Sim!!!

Prova disto foram os dias seguintes.

Foi perdendo foco, depois força, depois razão, e quando o jornal teve sua primeira oportunidade, taxou o manifesto de milhares de pessoas de movimento vândalo, por conta de 20 gatos pingados que não sabem brincar de democracia.

Estes sim deveriam ter sido alvo da polícia.

Mas sabem como é, caiu no colo da mídia dão de bandeja para a sociedade (aqueles 90% do monstro que citou-se acima), sem instrução, que acredita em tudo que o William Bonner contar. Ninguém mais queria apoiar o movimento vândalo.

O monstro se engoliu, pelo simples fato de que sua força advinha da massa, que passou a não respeitá-lo, a odiá-lo.

Foi aí que virou micareta.

Neste momento já não emprestei minha voz mais a ninguém. Me recolhi no meu luto pela morte do magnífico monstro “Leviatã ao contrário” e decidi ficar quietinho até a poeira baixar.

Mas decidi abrir minha boca. Porque?

O Pelé falou merda de novo. Estou começando a não gostar desse cara.

Não deixei de acreditar na força dos manifestos. Pelo contrário, passei a acreditar naquele momento, em que senti orgulho de fazer parte de um país que grita e caminha para ser ouvido… Saca? Jogaram Mentos na Geração Coca-Cola?

Renato Russo teria ficado orgulhoso [e com raiva do Pelé].

E sou a favor de voltar a estudar e prestar atenção no que acontece.

Sou a favor de deixarmos de ser um país de quase 2 meses e meio de carnaval.

Eu quero a Copa, as Olimpíadas, e todos esses eventos maneiros…

Mas antes disto eu quero as coisas funcionando direitinho.

Por esse motivo, Muffins-Beliebers, procurem seus motivos para gritar.

Se pá, me junto a vocês de novo pela Revolução dos Gritos…

É um sonho, mas faço dele a minha ventania. Se vou afundar com ele… são outros quinhentos, mas apoio os gritos democráticos :)

A Oração de um Ateu


A Queda dos Anjos Rebeldes

(…) Libertai-me de minha prisão
com o auxílio do vossas boas mãos:
Vosso hálito gentil minhas velas há de inflar
Para que, em meu intuito de agradar,
Eu não fracasse. Quisera eu ter
A arte de enfeitiçar, os espíritos em meu poder,
Mas ao desespero estou fadado,
A menos que seja libertado
Por uma prece tão contundente e pia,
Que todo o pecado expia.
Assim como desejais de vossos crimes o perdão
Eu vos rogo, concedei-me a libertação.

REYNARD, Sylvain. O Inferno de Gabriel

(O trecho foi sugestão de Pamela, amiga de priscos tempos, em que a paz de espírito ainda era expectativa real).

Como poderia eu, com tantos antecessores próximos do divino e do caminho correto, me distanciar tanto do que um dia acreditei.

O que um dia fora oração sincera e de coração, hoje mais parece um monólogo entretido entre minha racionalidade e a ideia que tenho do deus de vocês.

O que um dia foram anjos que acampavam corajosamente à minha volta, hoje são pesadelos que me assombram a noite, com ideias de arrependimentos e caminhos sem volta.

O que um dia fora a fé que sustentava a minhas escolhas, hoje é a dúvida que me leva a questionar o porque das coisas darem errado.

Não é que as coisas davam certo antes, mas sempre fiquei perdido no paradigma de que se as coisas davam certo, foi “graças a deus”, assim como se dessem errado ” é por que não foram parte dos desígnios dele.

Estou cansado desse determinismo estúpido e falta de livre arbítrio. Cansado de ter que aceitar que as coisas são como devem ser…

Porque se tudo isto pertencer ao desenho de deus sobre o mundo, toda a injusta que paira na terra deixa-me presumir o quão injusto ele também é. Se for, esse deus não é digno do meu louvor adoração.

Desculpem-me, mas é preferível adorar meus (poucos) sucessos, e relembrá-los com amigos na mesa de um bar, enquanto compartilhamos nossos deuses (-lembranças) pessoais.

Já sei o que me dirão, mas se as consequências pertencem ao ser humano, me depararei a um deus inerte, ao qual também não guardo simpatia….

Mas, como a dúvida já é comum à minha amargura e pessimismo, não custa tentar, tento orar.

Ainda que me falte fé para ser ouvido por uma entidade tão grandiosa, lanço meus verbos aos céus na expectativa de ter uma resposta.
Não vou requerer a paz mundial, pois já tenho ciência que esta só poderá ser alcançada por meio dos atos humanos, isto segundo a maior parte das religiões.
Muito menos o fim das guerras, pois sei que estas pertencem à vontade de poucos, que levam a maioria a se sacrificar no intuito breve de salvarem seu futuro.
Não pretendo o fim desta solidão que me afronta, ainda que cercado dos meus próximos, sentindo o frio e a dor de estar no limbo, dentro de mim mesmo, impedido e lacrado em uma prisão sem muros, pois não gastarei os créditos desta oração  (se houverem) com razões tão egoístas e ególatras.
Vou pedir algo simples: Justiça nos eventos futuros, para que meus atos reflitam de fato na minha vida, para fazer valer o livre arbítrio que me foi concedido desde quando a raça humana habitava o tão difamado paraíso (que não era tão perfeito assim).
Peço que eu detenha as rédeas da minha vida de forma que planos de outros não sejam soberanos aos meus, pois não pretendo um futuro de fantoche nas mãos de deidades.
E por fim, para não parecer que busco a audiência divina apenas para pedir, como a devastadora maioria de seus servos adoradores (ovelhas que se sentem melhores que outras ovelhas com idéias parecidas), agradeço pela saúde daqueles que amo e cuido, pois sem estes a vida não teria sabor, visto que o suspiro existencial que é tão proclamado nos templos, para mim são de fel e agonia. Acredito que se tudo e todos fazem parte da vontade soberana e divina, a saúde e doença daqueles que habitam este mundo devem estar incluído nos seus planos… se tenho a sorte de ter pessoas saudáveis a minha volta, nada mais justo que agradeça ao dono deles.
Quanto à doença, não me preocupo… fazem parte do seu plano grandioso.
Se esses votos lhe parecerem revolta e quiseres me punir. Faça-o direito. Não permita que vague por este mundo vazio de pessoas tão mascaradas, que respeitam e constroem os ideais que  não lhe pertencem.
Salve o que me resta de alma e fé ou termine por vez de destruir esta vida tão ímpia e angustiante.
… Amém.

O futuro que prevejo não me agrada mais…

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Dois Mil e Treze (se murio)


Segundo os macacos ajudantes do WordPress.com, este é o resumo do que foi este blog (um tanto quanto vazio) em 2013:

Bondinho de São Francisco

Bondinho de São Francisco

Segundo esses maravilhosos macacos ajudantes, um bondinho de São Francisco (EUA) consegue carregar 60 pessoas. Este blog foi visualizado 960 vezes (tirando as minhas próprias visitas) em 2013… Seriam necessárias 16 viagens para carregar essa galera.

Isto quer dizer que minha produtividade diminuiu bastante.

Em compensação concluí o curso superior, dancei, desenhei, escrevi (também fora do blog), fiz (e refiz) amizades e inimizades… todas essas coisas dignas de registro em um ano.

No último do ano, deixo como promessa a ambição de chegar mais longe e escrever mais no blog.

Estou pensando em chamar Coruja para comentar jogos para aumentar a família… de quebra ela arrasta Haoh junto.

Clique aqui para ver o resumo completo (em inglês).

Este fim de ano está com o ar pesado…

Ainda estou preso nas minhas idéias. Apaixonado, aflito e perdido.

Mas que venha 2014. :)

Meus sinceros cumprimentos aos fiéis visitantes (de tantos lugares do mundo).

Que haja saúde, fortuna e paz (individual) neste novo ano que se inicia.

- Tiago Lugon

A incerteza e seus medos [questionáveis]


Floresta em Bico de Pena, por Xs Júnior

Havia um pássaro escuro, que se perdera de sua gaiola em uma noite chuvosa.

Suas asas, já molhadas, não detinham mais força para alçar voo, obrigando o pequeno pássaro a seguir por debaixo da copa das árvores, fazendo-o ver o mundo por outra ótica.

Não sabia se deveria procurar abrigo, arriscando-se naquela noite na espera de uma manhã de sol, ou se atreveria nos riscos do desconhecido, na expectativa de encontrar seu lar.

Cantou forte, uma canção de medo e lamento, esperando que entre o barulho das gotas de chuva e das folhas balançando, sua súplica seria ouvida por deus, trazendo um pouco de misericórdia para seu sofrimento.

Enquanto pulava entre as árvores e arbustos, sombrios e molhados, pensava que se não tivesse se distanciado de seu ninho, não estaria perdido.

Titubeava entre o arrependimento de ter-se arriscado e o fato de usufruir de uma liberdade tão proclamada entre os outros pássaros.

Mais uma vez, clamou por ajuda, tendo sido silenciado por um raio, que atestou a impotência daquele pássaro.

A luz esclareceu toda a floresta, denunciando a silhueta de tudo que estava obscurecido.

Aquele pássaro sempre tivera medo de ir longe, mas o medo nunca o impedira de tentar.

Agora, já são sentia mais medo… Seu coraçãozinho batia em ritmo de dor, abandono e solidão…

Não era o receio que 0 movimentava, mas a certeza de que se suas escolhas o levaram longe, haveriam de lhe apresentar uma saída.

Todas aquelas incertezas, por mais que lhe trouxessem terror, agora eram certezas… Certezas estas que nunca mais foram boas, mas não eram de grades e limitações.

Ele vagou pela floresta pelo resto da noite… com frio… sozinho… infeliz.

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