Os Primeiros Sinais do Anoitecer


“À l’aurore, armés d’une ardente patience, nous entrerons aux splendides Villes” – Arthur Rimbaud, em Uma Estação no Inferno e Outros Poemas

Postmodern Jukebox–Thrift Shop (Melhor trilha para o post não havia).

- Sente-se moça vamos conversar. Tem sido dias violentos, sabe? Não se pode mais ficar vagando pelas ruas como se fazia há anos atrás. Em qualquer momento, seja dia ou seja noite, um desses bandidos perambulantes saca uma arma, aponta na sua cara e esquenta a ponta do seu nariz (se é que você me entende).

- Deixe-me contar minha história – O que?  Sem tempo? Deixe disto, pago-lhe um café, uns ovos com bacon… não dá para recusar, hein? Pelo seu físico, diria que não tem mais do que 20 anos, e pela sua bela aparência… hum… diria que não toma banho há algum tempo e da mesma forma não deve se alimentar… Você é uma viajante, estou errado? Não seria difícil presumir… com uma bolsa tão estufada quanto esta, ou se viaja ou se vende… e pela sua aparência, não acredito que seja a melhor das vendedoras ambulantes.

- Melhor assim, não se acanhe… sou mais um velho solitário procurando um ouvindo para alugar. Veja que sorte, você foi escolhida dessa vez. Prometo não lhe atacar… Não estou flertando contigo. Quero apenas uma boa companhia para conversar. Poderia ser você ou qualquer outro rapaz que desse o azar de passar na minha frente. Sorte a minha ter sido você, hein?

Pode perceber pelas minhas vestimentas que não sou nenhum maluco ou criminoso.

- Vou tentar não me ater aos detalhes… o que é difícil… a nostalgia é uma droga fantástica que nos faz sentir como se estivéssemos lá… – Onde? No meio da lembrança, senhorita… Você está presentando atenção no que estou te contando?

- Lembro-me como se fosse ontem ~ Não deve ter levado mais do que uma hora para me arrumar. Já não possuía mais tantos cabelos, nem para quem me arrumar, por isto quase uma hora era uma eternidade um tanto quanto feminina para o meu banho… sem ofensa, é claro.

- Não seja tão ansiosa… coma devagar… sei que não sou a melhor das companhias, mas tente fazer uma boa ação para um velho em seus últimos dias. está bem? – Onde estava? Ah sim…

Era o dia de minha formatura… Colação de Grau para ser exato. Concluía naquele dia mais um daqueles eventos da vida de mais um sujeito da classe média – Conhece? Estudar, trabalhar, casar, ter filhos, cria-los, reclamar deles, exigir o mesmo deles, e morrer sozinho. C’est la vie, é o que diziam…Isto me lembra outra história… mas deixe para outro azarado, o que acha? Hehe… Mais café? Tudo bem, pelo menos estou sendo interessante de alguma forma.

Demorei porque enquanto me arrumava, divagava sobre os eventos que me levaram até ali… “A Conclusão do Ensino Superior”, como se isto fosse uma conquista ou um blockbuster de cinema. – Deixe-me contar-lhe uma coisa: não é um marco único na vida. Melhor foi o meu primeiro beijo ou a primeira paixão. Esses, sim, são eventos que marcam a alma de um homem como brasa. Uma nódoa que gera orgulho e sorrisos bobos por eternidades que cabem em segundos.

Foi então que percebi o erro que havia cometido naquele tempo. Batalhei por seis longos anos, caminhando com tantos outros perdidos (fingindo-se de encontrados), me sentindo tão sozinho, fazendo tudo isto para concluir a confusão. – Eu deveria ter vivido a confusão, e deixando a conclusão ser a consequência. Que desperdício… que arrependimento.

- Me preocupei tanto com o fim da minha vida (que sempre presumi que era ruim), que esqueci de curtir o que me acompanhou nela. Vivi fora do meu tempo a vida toda… e a culpa era toda minha. Sempre o mesmo dilema de viver arrependido pelo passado ou preocupado com o futuro (que, cá entre nós, nunca chegou do jeito que eu planejei). – Tenho um conselho para você que está viajando, seja qual for o motivo que te trouxe até aqui: fugir não é a resposta.

- Não está fugindo, você diz… Com a idade que presumo que você tem, duvido muito pouco que não esteja fugindo de algo, se escondendo atrás de uma desculpa qualquer… Como é mesmo? ‘conhecer o mundo’, ‘ter novas experiências’, ‘amadurecer’… que seja! Essas desculpas não colam comigo, mas faça como preferir… é minha convidada neste brunch.

- Puxa! Era a minha colação de grau. Deveria estar feliz… afinal, reclamei do percurso por tanto tempo… sempre falando sobre um passado tão mágico (do qual também reclamei na época)… Tinha que parar de ser razinza!Formatura

- Pronto! Lá estava eu, vestindo meu melhor sorriso, inflando meu peito com os ares de quem marcaria a data para ser o novo início da vida. Aquele ano deveria ser o ano das transformações. Fechei as mãos com força, como se segurasse a confiança entre os dedos. Dei o primeiro passo fitando o horizonte, e depois não havia mais nada.

- Não via colegas, familiares, pessoas… nada! Estava dentro de todas as lembranças que floresciam freneticamente em minha cabeça… tanto em tão pouco. Era uma alegria eufórica, única… Era o meu momento!

- Do alto, já aguardando o momento dos juramentos acadêmicos, procurava os meus queridos no meio da multidão. Buscava encontrar orgulho, alegria e ela… ah sim, ELA! Sabia como as coisas haviam terminado entre nós, até porque fui eu a dar ensejo aquele conflito. Ainda a amava… ao ponto de querer e esperar do fundo do coração em vê-la. Não a encontrei.

Apesar do momento de imensa felicidade e orgulho que passava, meu sorriso perdeu lugar para a seriedade introspectiva de quem imaginava os motivos de ela não ter aparecido…

- Nossa!!! Desculpe-me… Perdi a noção do tempo. Não vou ocupar mais do seu tempo… Chega de conversas de velho por hoje, não é? – Não! Fique tranquila… Deixe o fim dessa história para outro azarado. Preciso ficar só… Sim, vou ficar bem. Prossiga com sua jornada. Espero que descubra algo bom e útil para sua vida. Lembre do conselho que lhe dei – Agora, vá… por favor.

[Continua…]

A Revolução dos Gritos


Ok… Após algum tempo desde a tempestade de manifestações que parou o Brasil inteiro, e fez dos jovens notícia em rede internacional, vou finalmente manifestar minha opinião a respeito de todo o evento.

Para isto vou apresentar uma ideia piloto, de autoria de Voltaire, provavelmente em um daqueles livros que comecei mas nunca terminei de ler: “As paixões são como ventanias que inflam as velas do navio. Algumas vezes o afundam, mas sem as ventanias não se pode navegar”.

Existe uma boa razão para dizer isto.

Em muito tempo não se viu uma massa tão grande se movendo em um grupo comum, lutando por direitos associados.

Depois de muito se falar em um gigante adormecido, acredito que dormia a política que surpreendeu-se ao ver a máquina plebeia causar tanto barulho que foi ouvido do outro lado do mundo (é claro, em vésperas de copas e olímpiadas, o que se precisa é de argumentos para falar mal da sede, tentem se lembrar como se imaginava a África antes da Copa do Mundo por lá).

O incentivo e a paixão foi tanta que eu me movi de minha confortável inércia por concordar com alguns pontos dispostos pelos Muffins Anarquistas.

Deixei de lado minha hipocrisia e gritei ao lado deles pela melhora das condições públicas, seja pelas tarifas completamente equivocadas de pedágios, transportes públicos em condição de merda (Ops, palavrão!!! o.o), hospitais em condições de pocilgas assim como a importação de mão de obra estrangeira para deixar o país da Copa bem na fita, não se esquecendo da representação vergonhosa por alguns ícones brasileiros no exterior.

Ficou clara a manipulação rasa e descarada da população, quando o Pelé (entre outros bons samaritano-brasileiros) disse que aquilo não era importante, e que hospitais e demais causas poderiam esperar, porque a Copa era prioridade, devendo todos se concentrarem em passar uma boa propaganda de país ascendente.

Enfim, a briga dos Muffins se tornou a minha.

Me senti inflado por sentimento que desde 2008 não possuía, querendo ir as ruas e gritar e me esgoelar por não concordar com o sistema.

Sabendo que a busca pelos recursos administrativos, judiciais ou burocráticos, fui lá com eles. Peguei o primeiro ônibus que pudesse me deixar o mais perto do Leviatã ao contrário, que marchava entoando cânticos e portando bandeiras. Lá estava eu, me unindo aqueles que geralmente faço por menos, por possuir ideias comuns. Éramos todos um, lutando pelo direito de todos.

A polícia não aceitou muito bem a ideologia defendida, e por não saber lidar com pessoas desarmadas gritando verbos antagônicos ao que eram pagos para defender, resolvendo defender seu ponto de vista no debate do jeito mais fácil (e dolorido, violento, desumano, entre outros adjetivos que já foram amplamente divulgados).

Nos dias seguintes, as marchas continuaram, paralisando as cidades do País, sempre dando uma confusão ou outra.

Não fui em todos os dias e explico o porquê.

Não estou aqui para defender ou atacar o argumento das partes, mas ficou claro que nenhum dos lados estava pronto para lidar com o gigantesco poder que é a democracia.

Ah! Sim… Aquilo que se via e chamava de monstruosidade (ou alguns políticos meio enviesados para a religião chamava de latidos de filhotes) era a mais pura demonstração de democracia e liberdade de expressão, o que é importante destacar.

O que conquistaram pra gente com tanta briga antigamente foi utilizado (como vem sendo mais utilizado nos últimos tempo).

Mas infelizmente não vem com manual de instrução, contraindicação e etc.

De um lado, um grupo jovem, dividido entre universitários que liam textos político-filosóficos suficientes para fundamentar 10% de seus pontos de vista, crianças fãs de Cartoon, Nickelodeon (até aqui me enquadro muito bem), e Justin Bieber (esses defendem uma boa briga, basta procurar na internet), e uma multidão que estava lá pela insatisfação com o sistema político [ou meramente para fazer parte da evocação "#vemprarua", que parecia um imperativo inadiável - que funcionou].

De outro, policiais treinados para lidar com esses manifestos da mesma forma como eram treinados em tempo de ditadura, com cala-bocas bastante efetivos, sem se preocupar se concordavam ou não com os gritos, apensar defendendo o interesse da coletividade (ahn?… É, isso é direito administrativo).

O problema é que a coletividade estava lá, gritando e apoiando nos primeiros dias, dando um início ao dilema que para polícia foi bem fácil de resolver: “Na dúvida, senta a pua!”.

Havia a democracia, dois lados e um dilema… E querem saber aonde que estava o problema? Nos dois lados… Faltou instrução.

Ok! Todos botam a culpa na educação, mas ninguém sugere resolução ao problema.

É utópico imaginar que mais do que 5% dos manifestantes soubessem como defender seus argumentos. A sociedade é uma máquina, e como máquina precisa de um núcleo pensante. Mas por plena sinceridade, nem o núcleo conseguia sustentar com foco o que defendiam, afinal, são tantos problemas no País, que é difícil saber como começar a falar quando o mundo inteiro para pra te ouvir.

Já os policiais, se depararam com algo que nunca haviam visto antes. Quer dizer, nos livros falam da revolução dos caras pintadas, da democracia, liberdade de expressão, direito ao manifesto público pacífico… Mas quando 100 policiais se deparam com o mar de gente que fazia o chão tremer só de se aproximar… eu me coloco no lugar deles, e teria muito [mas muito mesmo!] medo.

Poxa, quer dizer então que você concorda com que eles fizeram? De forma nenhuma, é incontestável que eles se queimaram com força. Mas não havia outra medida. Esta é a única forma que eles foram treinados para lidar com esta situação. Não é justo, mas possui suas razões.

Os dois lados fizeram cagadas (ops, de novo!)? Sim!!!

Prova disto foram os dias seguintes.

Foi perdendo foco, depois força, depois razão, e quando o jornal teve sua primeira oportunidade, taxou o manifesto de milhares de pessoas de movimento vândalo, por conta de 20 gatos pingados que não sabem brincar de democracia.

Estes sim deveriam ter sido alvo da polícia.

Mas sabem como é, caiu no colo da mídia dão de bandeja para a sociedade (aqueles 90% do monstro que citou-se acima), sem instrução, que acredita em tudo que o William Bonner contar. Ninguém mais queria apoiar o movimento vândalo.

O monstro se engoliu, pelo simples fato de que sua força advinha da massa, que passou a não respeitá-lo, a odiá-lo.

Foi aí que virou micareta.

Neste momento já não emprestei minha voz mais a ninguém. Me recolhi no meu luto pela morte do magnífico monstro “Leviatã ao contrário” e decidi ficar quietinho até a poeira baixar.

Mas decidi abrir minha boca. Porque?

O Pelé falou merda de novo. Estou começando a não gostar desse cara.

Não deixei de acreditar na força dos manifestos. Pelo contrário, passei a acreditar naquele momento, em que senti orgulho de fazer parte de um país que grita e caminha para ser ouvido… Saca? Jogaram Mentos na Geração Coca-Cola?

Renato Russo teria ficado orgulhoso [e com raiva do Pelé].

E sou a favor de voltar a estudar e prestar atenção no que acontece.

Sou a favor de deixarmos de ser um país de quase 2 meses e meio de carnaval.

Eu quero a Copa, as Olimpíadas, e todos esses eventos maneiros…

Mas antes disto eu quero as coisas funcionando direitinho.

Por esse motivo, Muffins-Beliebers, procurem seus motivos para gritar.

Se pá, me junto a vocês de novo pela Revolução dos Gritos…

É um sonho, mas faço dele a minha ventania. Se vou afundar com ele… são outros quinhentos, mas apoio os gritos democráticos :)

A Oração de um Ateu


A Queda dos Anjos Rebeldes

(…) Libertai-me de minha prisão
com o auxílio do vossas boas mãos:
Vosso hálito gentil minhas velas há de inflar
Para que, em meu intuito de agradar,
Eu não fracasse. Quisera eu ter
A arte de enfeitiçar, os espíritos em meu poder,
Mas ao desespero estou fadado,
A menos que seja libertado
Por uma prece tão contundente e pia,
Que todo o pecado expia.
Assim como desejais de vossos crimes o perdão
Eu vos rogo, concedei-me a libertação.

REYNARD, Sylvain. O Inferno de Gabriel

(O trecho foi sugestão de Pamela, amiga de priscos tempos, em que a paz de espírito ainda era expectativa real).

Como poderia eu, com tantos antecessores próximos do divino e do caminho correto, me distanciar tanto do que um dia acreditei.

O que um dia fora oração sincera e de coração, hoje mais parece um monólogo entretido entre minha racionalidade e a ideia que tenho do deus de vocês.

O que um dia foram anjos que acampavam corajosamente à minha volta, hoje são pesadelos que me assombram a noite, com ideias de arrependimentos e caminhos sem volta.

O que um dia fora a fé que sustentava a minhas escolhas, hoje é a dúvida que me leva a questionar o porque das coisas darem errado.

Não é que as coisas davam certo antes, mas sempre fiquei perdido no paradigma de que se as coisas davam certo, foi “graças a deus”, assim como se dessem errado ” é por que não foram parte dos desígnios dele.

Estou cansado desse determinismo estúpido e falta de livre arbítrio. Cansado de ter que aceitar que as coisas são como devem ser…

Porque se tudo isto pertencer ao desenho de deus sobre o mundo, toda a injusta que paira na terra deixa-me presumir o quão injusto ele também é. Se for, esse deus não é digno do meu louvor adoração.

Desculpem-me, mas é preferível adorar meus (poucos) sucessos, e relembrá-los com amigos na mesa de um bar, enquanto compartilhamos nossos deuses (-lembranças) pessoais.

Já sei o que me dirão, mas se as consequências pertencem ao ser humano, me depararei a um deus inerte, ao qual também não guardo simpatia….

Mas, como a dúvida já é comum à minha amargura e pessimismo, não custa tentar, tento orar.

Ainda que me falte fé para ser ouvido por uma entidade tão grandiosa, lanço meus verbos aos céus na expectativa de ter uma resposta.
Não vou requerer a paz mundial, pois já tenho ciência que esta só poderá ser alcançada por meio dos atos humanos, isto segundo a maior parte das religiões.
Muito menos o fim das guerras, pois sei que estas pertencem à vontade de poucos, que levam a maioria a se sacrificar no intuito breve de salvarem seu futuro.
Não pretendo o fim desta solidão que me afronta, ainda que cercado dos meus próximos, sentindo o frio e a dor de estar no limbo, dentro de mim mesmo, impedido e lacrado em uma prisão sem muros, pois não gastarei os créditos desta oração  (se houverem) com razões tão egoístas e ególatras.
Vou pedir algo simples: Justiça nos eventos futuros, para que meus atos reflitam de fato na minha vida, para fazer valer o livre arbítrio que me foi concedido desde quando a raça humana habitava o tão difamado paraíso (que não era tão perfeito assim).
Peço que eu detenha as rédeas da minha vida de forma que planos de outros não sejam soberanos aos meus, pois não pretendo um futuro de fantoche nas mãos de deidades.
E por fim, para não parecer que busco a audiência divina apenas para pedir, como a devastadora maioria de seus servos adoradores (ovelhas que se sentem melhores que outras ovelhas com idéias parecidas), agradeço pela saúde daqueles que amo e cuido, pois sem estes a vida não teria sabor, visto que o suspiro existencial que é tão proclamado nos templos, para mim são de fel e agonia. Acredito que se tudo e todos fazem parte da vontade soberana e divina, a saúde e doença daqueles que habitam este mundo devem estar incluído nos seus planos… se tenho a sorte de ter pessoas saudáveis a minha volta, nada mais justo que agradeça ao dono deles.
Quanto à doença, não me preocupo… fazem parte do seu plano grandioso.
Se esses votos lhe parecerem revolta e quiseres me punir. Faça-o direito. Não permita que vague por este mundo vazio de pessoas tão mascaradas, que respeitam e constroem os ideais que  não lhe pertencem.
Salve o que me resta de alma e fé ou termine por vez de destruir esta vida tão ímpia e angustiante.
… Amém.

O futuro que prevejo não me agrada mais…

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Dois Mil e Treze (se murio)


Segundo os macacos ajudantes do WordPress.com, este é o resumo do que foi este blog (um tanto quanto vazio) em 2013:

Bondinho de São Francisco

Bondinho de São Francisco

Segundo esses maravilhosos macacos ajudantes, um bondinho de São Francisco (EUA) consegue carregar 60 pessoas. Este blog foi visualizado 960 vezes (tirando as minhas próprias visitas) em 2013… Seriam necessárias 16 viagens para carregar essa galera.

Isto quer dizer que minha produtividade diminuiu bastante.

Em compensação concluí o curso superior, dancei, desenhei, escrevi (também fora do blog), fiz (e refiz) amizades e inimizades… todas essas coisas dignas de registro em um ano.

No último do ano, deixo como promessa a ambição de chegar mais longe e escrever mais no blog.

Estou pensando em chamar Coruja para comentar jogos para aumentar a família… de quebra ela arrasta Haoh junto.

Clique aqui para ver o resumo completo (em inglês).

Este fim de ano está com o ar pesado…

Ainda estou preso nas minhas idéias. Apaixonado, aflito e perdido.

Mas que venha 2014. :)

Meus sinceros cumprimentos aos fiéis visitantes (de tantos lugares do mundo).

Que haja saúde, fortuna e paz (individual) neste novo ano que se inicia.

- Tiago Lugon

A incerteza e seus medos [questionáveis]


Floresta em Bico de Pena, por Xs Júnior

Havia um pássaro escuro, que se perdera de sua gaiola em uma noite chuvosa.

Suas asas, já molhadas, não detinham mais força para alçar voo, obrigando o pequeno pássaro a seguir por debaixo da copa das árvores, fazendo-o ver o mundo por outra ótica.

Não sabia se deveria procurar abrigo, arriscando-se naquela noite na espera de uma manhã de sol, ou se atreveria nos riscos do desconhecido, na expectativa de encontrar seu lar.

Cantou forte, uma canção de medo e lamento, esperando que entre o barulho das gotas de chuva e das folhas balançando, sua súplica seria ouvida por deus, trazendo um pouco de misericórdia para seu sofrimento.

Enquanto pulava entre as árvores e arbustos, sombrios e molhados, pensava que se não tivesse se distanciado de seu ninho, não estaria perdido.

Titubeava entre o arrependimento de ter-se arriscado e o fato de usufruir de uma liberdade tão proclamada entre os outros pássaros.

Mais uma vez, clamou por ajuda, tendo sido silenciado por um raio, que atestou a impotência daquele pássaro.

A luz esclareceu toda a floresta, denunciando a silhueta de tudo que estava obscurecido.

Aquele pássaro sempre tivera medo de ir longe, mas o medo nunca o impedira de tentar.

Agora, já são sentia mais medo… Seu coraçãozinho batia em ritmo de dor, abandono e solidão…

Não era o receio que 0 movimentava, mas a certeza de que se suas escolhas o levaram longe, haveriam de lhe apresentar uma saída.

Todas aquelas incertezas, por mais que lhe trouxessem terror, agora eram certezas… Certezas estas que nunca mais foram boas, mas não eram de grades e limitações.

Ele vagou pela floresta pelo resto da noite… com frio… sozinho… infeliz.

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[não] Apenas um Dia dos Pais


Enfim… datas comemorativas remetem a homenagens e otras cositas. Estou em semana de preparações para  um monte de encheções de saco, mas estava devendo um post aos escassos leitores do blog.

Dei este presente ao meu pai, e compartilho com vocês, não só para eu mostrar o quanto gosto do cara, mas também para compartilhar este tipo de informação com o mundo.

Porquê? Benefício da minha vaidade, afinal é exatamente por isto que as pessoas publicam este tipo de coisa na internet… auto-promoção.

Só que dessa vez promovo meu pai… huahuahuahua.

Segue a carta, com respectivas homenagens:

Paizão,

ImageAcho que já te conheço a tempo suficiente para crer que você não é muito fã dos métodos convencionais/comerciais de comemorar um dia como este (tão capitalista, e absolutamente conveniente para um mês sem razões mercantis).

Uma das coisas que gosto de fazer, além de , dançar, desenhar e viajar, é escrever. Por isto me disponho a enrolar um monte de palavras para você neste dia.

Eu sou um adepto das imensas retóricas monólogas, o que acredito que isto seja fruto de uma herança genética e cultural… mais cultural do que genética.

Lembro-me que, quando criança (naqueles momentos em que estávamos juntos), você sempre parecia saber tudo (tudo mesmo!), sendo uma espécie de dono das razões absolutas e incontestáveis, respondendo perguntas, falando curiosidades, destacando as mais úteis (e inúteis informações), como palavras estrangeiras, músicas, história e culturas diversas.

Em uma dessas lembranças, você me ensinou algo que faço até hoje (não… não é apenas como pegar o Hashi em um restaurante oriental e como me comportar diante de mulheres em uma festa), que é respeitar as pessoas, independente de suas diferenças, e fazê-lo sem esperar retorno ou reciprocidade.

Ainda hoje, quando estou junto contigo, volto a me sentir aquele pentelho de 7 anos de idade, que olha para você com os olhos abertos e atentos, aguardando as verdades oraculares e cristalinas, que só você tinha acesso.

Sei que não foram muitos momentos, dadas as diversas circunstâncias. Mas saiba também que os momentos vividos me são um marco importante e maravilhoso que enchem de lembranças boas a minha história (com exceção de um beliscão ou aquela bronca, para o menino genioso que sei que era).

Saiba que, se hoje sou o que sou (bom ou ruim, hehehe), você tem imensa participação nisto, mesmo sem estar presente fisicamente, você se tornou um totem constante, sendo difícil para mim admitir que, no fundo (perdido no meio do meu orgulho e excesso de vaidade, retraído em um mar de auto-vitimização e ausência de fé nas coisas), sempre quis ser igual a você (como se isto fosse difícil, com a genética ajudando tanto): um homem trabalhador, digno, esforçado e que ama sua família.

Mesmo com a distância e ausência de ligações (que me são bastante comuns), tenha certeza lembro de você, e guardo um apreço a saudosismo constante, que não é sanado apenas por visitas esporádicas :D.

Este seu filho te ama, e tenho certeza que os outros dois também.

Desejo a você um feliz dia dos pais e a melhor das fortunas, porque sei que você merece, não apenas como pai, mas como indivíduo f#d@ que você é.

Um grande abraço apertado, do filho capixaba, careca e enrolador.

Aos demais leitores, meus sinceros cumprimentos, cheios das expectativas de que tempos de mudanças virão… assim como novembro, com suas reviravoltas.

Aguardem!

Pandas voam sozinhos


Meu amor me dedicou uma música, que, ao pé da letra quer dizer que anjos voam sozinhos.

Há muito tempo que não publico uma música com tradução específica aqui no blog [para ser exato, tem muito tempo que não publico nada no blog... mas enfim]. Tanto pela falta de tempo, quanto pelo excesso de coisas. Digamos que preciso abraças meus vícios, mais uma vez.

Compartilho com a publicidade anônima da internet a música que ela me dedico, assim como com o texto correspondente… e, para não deixar tão cru, publico também a minha versão da música, que vou aprender a tocar e, quem sabe, filmar e publica também. Who knows?

Engels Fliegen Einsam
Anjos Voam Sozinhos
Weißt du wie die Dichter schreiben?
Você sabe como os escritores escrevem?
Hast du je einen geseh’n?
Você já viu um?
Dichter schreiben einsam
Escritores escrevem sós
Und weißt du wie die Maler malen?
Sabe como os pintores pintam?
Hast du je einen geseh’n?
Você já viu algum?
Maler malen einsam
Os pintores pintam sós
Und weißt du wie die Engel fliegen?
Sabe como os anjos voam?
Hast du je einen geseh’n?
Você já viu algum?
Engel fliegen einsam
Anjos voam sós.
Und weißt du wie ich mich jetzt fühle?
Sabe como eu me sinto agora?
Hast du je daran gedacht?
Já pensou nisso?
Du und ich gemeinsam
Você e eu juntos.
Engel fliegen einsam
Anjos voam sós
Du und ich gemeinsam
Você e eu juntos
Engel fliegen einsam
Anjos voam sós
Niemals mehr allein sein
Nunca mais sozinha
Und weißt du wie die Träumer schlafen?
Sabe como os sonhadores sonham?
Hast du je einen geseh’n?
Já viu algum?
Träumer schlafen einsam
Eles sonham sós
Und weißt du wie die Feen verzaubern?
Sabe como as fadas encantam?
Hast du je eine geseh’n?
Já viu alguma?
Feen verzaubern einsam
Elas encantam sós
Ich weiss es geht dir ganz genau so
Eu sei que eles são como você
Was hast du mit mir gemacht?
O que você fez comigo?
Du und ich gemeinsam
Você e eu juntos.
Engel fliegen einsam
Anjos voam sós;

Du und ich gemeinsam
Você e eu juntos;
Engel fliegen einsam
Anjos voam sós;
Niemals mehr allein sein
Nunca mais sozinhos.
Dann bin ich aufgewacht
Então eu acordei
Und ich hab nachgedacht
E pensei,
Dann hab ich laut gelacht
Rindo alto,
Weil man sowas nicht macht
Que não era nada de mais
Engel fliegen einsam
Anjos voam sós
Du und ich gemeinsam
Nunca mais sozinha
Engel fliegen einsam
Anjos voam sós
Niemals mehr allein sein
Nunca mais sozinha
Engel fliegen einsam
Anjos voam sós
Niemals mehr allein sein
Nunca mais sozinha
- Christina Sturmer

E com vocês, a minha versão:

Pandas Voam Sozinhos
Você sabe como os blogueiros escrevem?
Você já viu algum?
Blogueiros “Forever’es Alone’s”
Sabe como os desenhistas pintam?
Você já viu algum?
Eu só desenho sozinho
Sabe como os pandas voam?
Você já viu algum?
[Nem eu] Os pandas voam sozinhos.
Sabe como eu me sinto agora?
Já pensou nisso?
[gosto de] Você e eu juntos.
Pandas voam sós
Eu e você não
Pandas não têm asas?
Nunca mais sozinhos
Sabe como os sonhadores sonham?
Já viu algum?
Olha eu aqui!
Sabe como as fadas encantam?
Já viu alguma?
Claro, fadas não existem…
Sabe como os pandas voam?
Você já viu algum?
Pandas voam sozinhos…
Eu sei que as coisas se passam assim para você
Vocês sabe o que fez comigo?
Não estou mais sozinho.
Pandas voam sozinhos
Você e eu juntos
Pandas não tem asas.
Meu deus, um Panda caindo!
Então eu acordei
e continuei sonhando
Sorri e me lembrei
Pois sempre estou te amando
Pandas voam sós
Mas não querem estar sozinhos
Pandas voam sós
Será que é com carinho?
Pandas voam sós
Nunca te deixarei sozinha.

- Tiago Lugon

Aos amigos e leitores, e a minha namorada, é bom estar de volta.
Meu amor, rumamos ao um ano de namoro… nunca mais sozinhos.